Vendas de linha branca podem subir em 2017, após cinco anos em queda

Ter?a-feira, 18 de Julho de 2017 em Geral

Fonte: DCI

Geladeiras

São Paulo - Após cinco quedas consecutivas, a indústria de linha branca pode ter alta de 5% nas vendas neste ano frente a 2016, projetou ontem o presidente da Eletros, Lourival Kiçula.

"Vamos crescer porque o ano passado foi muito ruim", disse, durante a abertura da feira EletrolarShow 2017. De acordo com a Eletros, as vendas de janeiro a junho, em volume, recuaram 3% sobre mesmo período de 2016. Enquanto as vendas de lavadoras e geladeiras caíram 7% no período, a categoria de fogões foi na contramão e registrou alta de 3%.

Em 2016 ante 2015, as vendas de linha branca, em geral caíram quase 11%, a 12,9 milhões de unidades. Todas as categorias apresentaram retração: lavadoras (-15%), fogões (-9%) e geladeiras (-9%).

Caso a projeção da Eletros se confirme, seriam vendidos cerca de 13,6 milhões de unidades este ano. Questionado pelo DCI sobre quando o setor poderia retomar os patamares de 2012 ou 2013, anos em que as vendas totalizaram mais de 18 milhões de unidades, Kiçula disse que vai depender "do que ocorrer em Brasília", em referência às dúvidas sobre a continuidade ou não do governo de Michel Temer e o impacto disso sobre a recuperação da economia.

Kiçula destacou ainda que parte da recuperação deste ano pode ser creditada pelos recursos liberados das contas inativas do FGTS, o que levou muitos consumidores a gastar adquirirem bens duráveis. Ele acrescentou, porém, que o consumidor vem sentindo uma recuperação gradual da confiança e menores perspectivas de perda do emprego, o que deverá alavancar as vendas do segundo semestre, tradicionalmente mais forte para o setor de bens de consumo.

Entre as fabricantes de linha branca, a Atlas Eletrodomésticos, que atua na fabricação de fogões destinados ao público classe média e promocional, destaca que as vendas subiram 4% no primeiro semestre, com incremento de tíquete médio. "Percebemos um movimento de qualificação na decisão de compra. As trocas estão sendo por produtos com mais atributos, tecnológicos e de desing", observa o diretor comercial da empresa, Clóvis Simões. A expectativa da Atlas é de que as vendas acelerem no segundo semestre, impulsionadas, sobretudo pela Black Friday. Ano passado, a empresa faturou 12% mais ante 2015.

 

Já a fabricante de máquinas de lavar, Colormaq, tem a expectativa de um aumento das vendas próximo de dois dígitos este ano. Até junho, o mercado cresceu acima da média do mercado, com incremento de 5%. O gerente nacional de vendas da companhia, Valter Carvalho, ressalta que a capacidade produtiva foi elevada, com a nova fábrica em Feira de Santana (BA), e apostou no avanço da demanda por máquinas mais baratas, com uma estratégia mais agressiva. "A crise puxou um movimento de rebaixamento do consumo entre as classes D e E, mais afetadas pelo desemprego. O consumidor não deixou de trocar, mas está optando pelas lavadoras semiautomáticas em relação às automáticas", ressaltou.

Televisores

A surpresa positiva do balanço da Eletros veio do segmento de televisores, com expansão de 30,5% no primeiro semestre sobre um ano antes, para 5,2 milhões de aparelhos. Para 2017, a previsão é de que as vendas atinjam cerca de 9,5 milhões de unidades - avanço próximo a 13% em relação às 8,4 milhões de unidades comercializadas em 2016.

Entre as razões para alta, conforme Kiçula, estão a melhora do cenário para o consumo e a antecipação do processo de troca dos aparelhos, diante do desligamento do sinal analógico no País. "A indústria vem se capacitando e aperfeiçoando a tecnologia dos televisores, como o desenvolvimento de aparelhos compatíveis com a internet".

Outra categoria que se destacou foi a de portáteis, com vendas de 26,5 milhões de unidades, alta de 23%.

A Eletros divulgou ainda uma pesquisa com as expectativas dos fabricantes de eletroeletrônicos para os próximos meses. No levantamento, apurado em junho, 36,7% dos produtores afirmaram estar otimistas que este ano será melhor do que o ano passado. Em janeiro, a mesma pesquisa apontava que apenas 25% estavam otimistas.

Rodrigo Petry