Pequenos reclamam de aumento dos custos do insumo

Quarta-feira, 08 de Junho de 2016 em Geral

Fonte: Jornal Valor Econômico

Por Guilherme Meirelles


Embora em escala menor que a dos grandes consumidores, determinados setores da cadeia do aço têm na matéria-prima um importante componente para o seu mix de produtos. De acordo com medição do Instituto Aço Brasil (IABr), entre os chamados pequenos consumidores estão classificados os setores de utilidades comerciais e domésticas (7,1%), tubos com costura de pequeno diâmetro (5%), embalagens e recipientes (3%) e outros setores (5,3%). Assim como entre os maiores, a retração nestas áreas se faz presente. É o caso do setor de linha branca (geladeira, fogões e lavadoras), que tem no aço insumo essencial. Em uma lavadora de roupas, por exemplo, o aço chega a representar 60% do peso, no fogão atinge 40% e em um refrigerador é de até 30%, conforme o grau de sofisticação do produto. Já no preço final, a matéria-prima é mais significativa nos fogões, com 27%, representando 9% nos refrigeradores e 7% nas lavadoras. "Até alguns anos atrás, o setor de linha branca lançava mão das importações, mas hoje somos totalmente atendidos pela produção local. Mas os preços internos subiram e as indústrias estão revendo seus planos, afirma Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Segundo Kiçula, os mais penalizados tem sido os fabricantes de refrigeradores e de fogões voltados ao público de baixa renda, que além de sentirem a queda nas vendas, não estão podendo repassar os custos de produção ao consumidor final. Desde o ano passado, a Eletros vem mantendo contatos com o governo federal para buscar uma solução para os custos do aço. Com a desvalorização do real, as importações da matéria prima caíram, o que deixa como uma única opção a compra do material nacional. "É preciso uma solução política para resolver a questão. Hoje, o cenário não é positivo nem para as siderúrgicas e tampouco para os fabricantes", afirma. Segundo o presidente da Eletros, a produção de linha branca caiu 18% no primeiro trimestre e o volume das indústrias hoje retornou aos patamares de 2010.

Para Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do IABr, as queixas sobre a alta dos produtos siderúrgicos são improcedentes. "Há um certo saudosismo dos tempos em que a siderurgia era 70% estatal e os preços eram regulados por um conselho", afirma. Para Lopes, as negociações podem ser resolvidas entre o cliente e o fornecedor. "São pontos relacionados com a competitividade. Em aços planos, o nosso produto está mais barato que o mercado internacional. O que havia antes era uma distorção do câmbio, que permitia trazer tanto o aço como máquinas a um preço mais barato", afirma. Os distribuidores de aço projetam uma queda nas vendas de até 7% em 2016 devido ao encolhimento do mercado, mas se nota no consumo aparente uma maior procura pela compra na rede. Segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), 40% do consumo aparente é por meio da venda dos distribuidores. No ano passado este índice era de 32%. De acordo com Carlos Loureiro, presidente do Inda, o fenômeno se explica por dois fatores. "Pressionados pelos preços das siderúrgicas, os distribuidores trabalham com margens menores de lucro, hoje na faixa de 10% a 12%. Por outro lado, o cliente com dificuldade de capital giro pode negociar os volumes e a forma de pagamento, o que não acontece nas negociações diretas com as siderúrgicas", afirma.

Utilizados em obras de saneamento, condução de água e no setor de óleo e gás, os tubos metálicos só devem a ser fortemente demandados em caso de novos investimentos da Petrobras. "As vendas caíram 35% de 2015 até hoje", lamenta Jose Adolfo Siqueira, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam).

Estima-se que o setor tenha uma capacidade instalada de 5 milhões de toneladas/ano, mas opera com 50% deste volume. Caso o país estivesse em crescimento, Siqueira acredita que a produção anual estaria na faixa de 3,5 milhões de toneladas. Segundo Siqueira, duas fabricantes de tubos de grande espessura, voltados para extração da camada pré-sal, tiveram investimentos de R$ 1,5 bilhão em centros de pesquisa, no Rio de Janeiro. "Acredito que haja uma recuperação do setor a partir de 2018."

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