Aumento de alíquota do aço vai encarecer linha branca e carros

Ter?a-feira, 24 de Novembro de 2015 em Geral

Segundo associações de setor, há o risco do setor de máquinas e equipamentos enfrentar nova crise

Fonte: O Globo - Online

Linha de montagem de geladeiras na fábrica da Panasonic, em Extrema, Minas Gerais - Giovanni Del Nero / O GLOBO

Linha de montagem de geladeiras na fábrica da Panasonic, em Extrema, Minas Gerais - Giovanni Del Nero / O GLOBO


RIO - Após o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ter afirmado que o governo federal pode elevar a alíquota de importação do aço, associações de setores que utilizam a commodity na fabricação de seus produtos decidiram iniciar uma guerra contra a possível elevação tarifária. Segundo eles, há o risco de diversos produtos - de carros a fogões - terem forte aumento de preços, assim como piorar a crise no setor de máquinas e equipamentos, que nos últimos dois anos demitiu 60 mil pessoas.


A Eletros, que reúne os principais fabricantes de linha branca, acredita que a medida vai encarecer diversos produtos. Lourival Kiçula, presidente da Eletros, diz que o aço é o principal componente na produção de fogões, respondendo entre 60% e 70% do preço final do produto. No caso de geladeiras, esse índice oscila entre 25% e 35%, assim como no caso de lavadoras (de 40% a 50%).


- Qualquer alteração de preço em um componente importante como o aço representa uma mudança significativa no preço final de produtos como fogão, refrigeradora e lavadora. A economia já está fraca. Esse não é o momento de repasses. Hoje, o aço importado representa pouco menos da metade do consumo dessa indústria. E, além disso, ao aumentar o valor do importado, a indústria nacional de aço vai subir seus preços também, porque não tem condição de atender a todos — disse Kiçula, destacando que a Eletros publicou anúncios nos principais jornais do país criticando a o possível aumento em estudo pelo governo.


Avaliação semelhante tem Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, associação que reúne o setor de máquinas e equipamentos. Segundo ele, o valor do aço importado é usado como referência para todo o setor. E, continua, se o preço do importado sobe, o valor do similar nacional também vai acompanhar esse movimento.


- Essa proposta é um descalabro. A Cosipa, por exemplo, fechou as portas porque seu principal cliente, o setor de máquinas equipamentos está quebrado. Hoje, a alíquota de importação de máquinas é de 6,5%, enquanto a do aço é de 8 % a 12%. Então, ao elevar ainda mais a do aço, a mensagem do governo é que é melhor a gente importar máquinas? Estamos no movimento contrário, que seria estimular a indústria de transformação no Brasil — diz Pastoriza.


Nesta quarta-feira, a Abimaq vai fazer um encontro com outras associações, como a Anfavea, de carros, Abine, de eletroeletrônicos, e Abipeças, de peças, para criticar o possível aumentos da alíquotas de importação.

 

POR BRUNO ROSA
http://oglobo.globo.com/economia/aumento-de-aliquota-do-aco-vai-encarecer-linha-branca-carros-18131395